sábado, 2 de fevereiro de 2008

Artigo jornal "Verdadeiro Olhar"



Ana Gomes e Elisa Ferreira em conferência do Fórum Social Mundial de Penafiel
Eurodeputadas apelam a mudanças políticas
Ana Gomes e Elisa Ferreira foram as principais convidadas do Fórum Social Mundial de Penafiel para a conferência que marcou o Dia de Mobilização e Acção Global, no passado sábado. Perante as cerca de 30 pessoas que assistiram numa sala do extinto cinema de Penafiel, as eurodeputadas socialistas mostraram-se desvinculadas da orientação recente do partido liderado por José Sócrates e apelaram a mudanças políticas mundiais com vista a uma melhor concretização da globalização.
No entender das conferencistas, a globalização que tem sido levada a cabo é positiva em vários aspectos, como a maior disponibilização de informação e uma maior consciência social internacional. No entanto, ela “não gerou igualdade”, referiu Elisa Ferreira, que, tal como Ana Gomes, apelou à construção de um melhor futuro. Um futuro onde, segundo todos os conferencistas, o Estado tem de voltar a desempenhar o papel de regulador da sociedade, impondo outras condições laborais, económicas e ambientais.
A caminho do “abismo”, Portugal e o mundo “têm de tratar dos seus problemas sociais” e acabar com a importação de práticas neoliberais, que “defendem que cada um olhe por si”, afirma Elisa Ferreira. Estas alterações têm de ser internacionais porque, nas palavras de Ana Gomes, “vivemos numa aldeia global” e “somos cidadãos do mundo”. Muitos dos problemas do mundo devem-se, assegurou ainda, à elevada corrupção em África, que “foi exportada do lado de cá”. Inclusive de Portugal, onde “continuamos a fechar os olhos à corrupção”, concluiu.
Políticos são “manipulados pelo poder económico privado”
João Teixeira Lopes falou das “utopias que apostam em retrocessos civilizacionais”, entre as quais está o neoliberalismo. Este estabelece “uma precarização dos quotidianos” e “faz com que se desvaneça a ideia de estabilidade e projecto”, garantiu o membro do Bloco de Esquerda. Actualmente, no seu entender, “temos [em Portugal] um Estado social que se desagrega” e esquece que “devemos incutir uma política de mínimos comuns”.
Proveniente de Cabeça Santa, em Penafiel, o Padre Jardim, responsável por uma rede europeia anti-pobreza, disse que “infelizmente são os poderes económicos que governam” e que os políticos são “manipulados pelo poder económico privado”. “Não tenho nada contra os ricos, mas tenho contra a injustiça”, afirmou, garantindo que “a liberdade portuguesa não é tão verdadeira quanto isso”. “Estou a pagar a factura por falar a verdade na luta contra a pobreza”, enfatizou.O primeira conferencista a usar da palavra foi Paulo Esperança, enumerou estatísticas que apontam para a miséria em que vivem vários dos habitantes do planeta e contrapô-las ao facto de que “as mega-empresas globais controlam 70 por cento do dinheiro”, naquilo que não mais é do que uma “pilhagem imperial”.
Foto: Paulo Esperança, Padre Jardim, Ana Gomes, Elisa Ferreira e João Teixeira Lopes foram os convidados

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